Por Ir. Norma Maria Ravazzi

 

A multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía. Mas tudo entre eles era comum. Atos, 4, 32.
Um dia destes, refletíamos sobre a amizade e as relações humanas nestes tempos. Pudemos ver o quanto nós vivemos e pensamos e sentimos de acordo com o sistema que valoriza só o ter, o poder e o prazer.
Para a maioria das pessoas o que vale são os bens ou a propriedade e o dinheiro ou o status. Somente quem é produtivo tem valor ou quem tem o poder. As diferenças acabam por ser gritantes: quem tem mais ganha mais, é respeitado, tem direitos à saúde, à educação, à moradia. Quem não tem está desamparado, é explorado, sofre, passa necessidade… o ser humano acaba ficando em segundo lugar, a pessoa está em segundo plano.
Relações-humanasÉ muito difícil reverter essa situação, nas podemos viver melhor…
Pode ser muito difícil, mas não impossível estabelecermos um lugar onde a pessoa é o centro, onde todos tenham os mesmos diretos, onde o que vale é o ser e não o ter.
Assim é que se procura viver quando se fala em vida de comunidade, onde pessoas estão unidas pelo mesmo ideal, e o que se preocupa é encontrar um caminho de partilha e de total comunhão, assim: quem pode trabalhar trabalha, não importa qual é o serviço. Quem não tem condições de trabalhar, não trabalha, mas usufrui igualmente dos mesmos direitos. Os salários são muito variáveis, a cultura de cada um é muito diferente, diferente é a formação pessoal, mas todos tem as mesmas casas, a mesma comida, o mesmo remédio e o mesmo médico, a mesma escola e o mesmo lazer. Tudo é posto em um comum e ninguém quer mais do que o necessário. Na vida de comunidade, partilha-se também os sentimentos: o amor, a alegria, a dificuldade, o sofrimento.
Numa vida de comunidade procura-se viver assim: na partilha da comunhão.
Procura-se viver assim na vida de comunidade, no amor, na união, na fraternidade, coloca-se tudo em comum…
Procura-se viver assim numa comunidade, uma vida parecida com a dos primeiros cristãos e testemunhando que a forma ideal da vida é aquela vivida no amor, na alegria, no respeito e na paz.

   (Voz Terra Assis – Maio de 2001)

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